Havia um violinista cuja competência em sua arte era
inigualável. Certa vez, decidido a enfrentar novos desafios,
propôs a si mesmo entrar numa selva habitada por animais
selvagens. Acreditando no poder de sua música, julgava que
chamaria a atenção dos animais, tocando-lhes seus corações
despertando o que de melhor havia dentro de cada um deles.
As pessoas tentaram impedi-lo, mas não conseguiram. E lá
foi o violinista embrenhar-se no mato, levando apenas o seu
violino, e sua arte e a sua fé.
Estava no meio da floresta quando o leão o farejou. A
fera ao sentir a sua presa, veio correndo, e quando ia dar o
bote fatal, ouviu o som que saía do violino e admirado com a
música, ficou ao lado dele para saborear as notas musicais
liberadas pelo violinista através do seu instrumento de
trabalho.
Pouco depois, o tigre também farejou a refeição em
potencial, veio correndo e quando ia abocanhar sua presa,
ficou admirado com o som emitido do violino e também se
colocou ao lado do leão para contemplar a performance do
violinista.
E assim, cada animal que avistava ou farejava o
homem e seu violino, aproximava-se decidido a devorá-lo,
mas quando envolvido pelo som que ele tocava, apaziguado
em seu ânimo, superava os próprios instintos e acomodava-
se junto aos outros para apreciar o show. Assim prosseguia,
até que a onça também passou por perto, farejou o violinista
e veio correndo, passou por cima dos outros animais e
devorou o pobre homem. Os animais ficaram chocados com
tanta maldade e foram perguntar a onça o porquê do ato tão
cruel. A porta voz dos animais, a hiena, indagou:
— Dona Onça, dona Onça... Como pôde? Será que
tamanha música não foi capaz de sensibilizá-la?
A onça sem nada entender sobre o que estava
acontecendo diz:
— Cada vez nos tornamos melhores e mais santos,
embora sempre pecadores... Então, por que devo me
preocupar ou me entristecer?
O senhor ficou muito admirado com a sabedoria do
homem e entendeu a situação daqueles que, embora
pecadores conheçam e amam a Deus.
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