Educação Difusa: a tradição oral
“A educação existe onde não há escola e por toda parte
podem haver redes e estruturas sociais de transferência de
saber de uma geração a outra, onde ainda não foi sequer
criada a sombra de algum modelo de ensino formal e
centralizado. Porque a educação aprende com o homem a
continuar o trabalho da vida”.
Carlos Rodrigues Brandão/ O Que É Educação
A educação está de uma maneira geral relacionada à organização econômica, política
e social de cada povo, ou seja, ao seu projeto societário, sendo assim, podemos
compreender porque ela se apresenta de maneira diferente em cada grupo social.
Portanto, mesmo nas sociedades tribais não podemos generalizar apresentando um
único modelo de organização social e educacional para todos os povos com este tipo
de organização, embora, em grande parte isso aconteça em função da precariedade
de conhecimento acerca desses povos, no passado e no presente.
único modelo de organização social e educacional para todos os povos com este tipo
de organização, embora, em grande parte isso aconteça em função da precariedade
de conhecimento acerca desses povos, no passado e no presente.
Um outro elemento importante no estudo das sociedades tribais está relacionado aos
conceitos de atraso e desenvolvimento ou civilizados e selvagens, que durante muito
tempo esteve presente no debate que envolvia as pesquisas acerca desses povos. Na
atualidade, esses conceitos estão superados na teoria, porém ainda muito presentes
na prática cotidiana. Até porque, foram elaborados, na maioria das vezes, com o
objetivo de reafirmar a superioridade de determinados povos sobre outros, que para
além da força física, também utilizavam e utilizam a ideologia como forma de
dominação e exploração.
conceitos de atraso e desenvolvimento ou civilizados e selvagens, que durante muito
tempo esteve presente no debate que envolvia as pesquisas acerca desses povos. Na
atualidade, esses conceitos estão superados na teoria, porém ainda muito presentes
na prática cotidiana. Até porque, foram elaborados, na maioria das vezes, com o
objetivo de reafirmar a superioridade de determinados povos sobre outros, que para
além da força física, também utilizavam e utilizam a ideologia como forma de
dominação e exploração.
As sociedades tribais do passado e do presente não devem ser tratadas como
inferiores, mas sim como diferentes, tendo suas próprias necessidades e direitos,
inclusive, o de permanecer organizadas dessa maneira. O respeito à diferença é o
primeiro passo contra os preconceitos e extermínios, que em muitos casos são
banalizados em função do não reconhecimento do outro como diferente, mas sim,
como inferior.
inferiores, mas sim como diferentes, tendo suas próprias necessidades e direitos,
inclusive, o de permanecer organizadas dessa maneira. O respeito à diferença é o
primeiro passo contra os preconceitos e extermínios, que em muitos casos são
banalizados em função do não reconhecimento do outro como diferente, mas sim,
como inferior.
De maneira geral, as sociedades tribais são essencialmente míticas e de tradição oral,
pois o grupo social que as compõem tem necessidade de compreender os fenômenos
que ocorrem à sua volta: sua atuação tanto individual quanto social exige um
conhecimento do mundo que as rodeiam. Segundo Melatti (1972, p.125):
pensamento estão voltados para isso. Assim, criam um conjunto de símbolos para
representar a realidade; as magias, os mitos os totemismos, nada mais são do que
uma expressão desse esforço de compreensão do mundo. Portanto todo o grupo
humano no seu enfrentamento com o mundo cria cultura, isto é, cria objetos, para
satisfazer as suas necessidades físicas e materiais, e cria ideias, para satisfazer as
suas necessidades intelectuais.
pois o grupo social que as compõem tem necessidade de compreender os fenômenos
que ocorrem à sua volta: sua atuação tanto individual quanto social exige um
conhecimento do mundo que as rodeiam. Segundo Melatti (1972, p.125):
Os mitos são antes de tudo narrativas. São narrativas de
acontecimentos cuja veracidade não é posta em dúvida
pelos membros de uma sociedade. Muita gente pensa
que os mitos nada mais são do que descrições
deturpadas de fatos que realmente ocorreram. Na
verdade, porém, tudo
indica que os mitos têm mais a ver com o presente do
que com o passado de uma sociedade. Embora as
narrativas míticas sempre coloquem os acontecimentos
de que tratem em tempos pretéritos, remotos, elas não
deixam de refletir o presente, seja no que toca aos
costumes, seja no que toca a elementos tão palpáveis
como os artefatos.
Sabemos que esses grupos são extremamente dependentes do meio ambiente, o seu
cotidiano está voltado para a sobrevivência, dessa forma todos os sentidos e o seupensamento estão voltados para isso. Assim, criam um conjunto de símbolos para
representar a realidade; as magias, os mitos os totemismos, nada mais são do que
uma expressão desse esforço de compreensão do mundo. Portanto todo o grupo
humano no seu enfrentamento com o mundo cria cultura, isto é, cria objetos, para
satisfazer as suas necessidades físicas e materiais, e cria ideias, para satisfazer as
suas necessidades intelectuais.
Os mitos são narrativas que falam das origens do universo da humanidade e da forma
como uma sociedade pode se organizar. Logo, o mito é uma explicação do mundo.
Uma explicação que incorpora todos os fenômenos em um contexto heroico, divino,
mágico. É uma explicação do mundo compartilhada por todos os elementos do grupo,
onde o regime de propriedade é coletivo, sem dominação de um ou outro segmento.
Assim, mesmo que a divisão das tarefas faça com que as pessoas realizem funções
diferentes, o trabalho e o seu produto são sempre coletivos.
como uma sociedade pode se organizar. Logo, o mito é uma explicação do mundo.
Uma explicação que incorpora todos os fenômenos em um contexto heroico, divino,
mágico. É uma explicação do mundo compartilhada por todos os elementos do grupo,
onde o regime de propriedade é coletivo, sem dominação de um ou outro segmento.
Assim, mesmo que a divisão das tarefas faça com que as pessoas realizem funções
diferentes, o trabalho e o seu produto são sempre coletivos.
Os mitos têm uma relação muito estreita com os ritos e em função disso, se relaciona
com todo o sistema social, uma vez que todas as relações sociais têm seu aspecto
ritual. Vale lembrar, no entanto, que esta questão não se reporta apenas às
sociedades tribais, ela está presente praticamente em todas as formas de sociedade.
Por exemplo, podemos citar o rito do matrimônio, que em toda sociedade, tribal ou
não, se faz presente.
com todo o sistema social, uma vez que todas as relações sociais têm seu aspecto
ritual. Vale lembrar, no entanto, que esta questão não se reporta apenas às
sociedades tribais, ela está presente praticamente em todas as formas de sociedade.
Por exemplo, podemos citar o rito do matrimônio, que em toda sociedade, tribal ou
não, se faz presente.
Os mitos e os ritos, nas comunidades tribais, são transmitidos oralmente, as crianças
aprendem imitando os gestos dos adultos, tanto nas atividades cotidianas como nas
cerimônias e nos rituais.
aprendem imitando os gestos dos adultos, tanto nas atividades cotidianas como nas
cerimônias e nos rituais.
No Brasil, por exemplo, as crianças ocupam um espaço privilegiado nessas
comunidades. São tratadas de forma carinhosa e “são criadas com muita liberdade,
sem imposições, e são geralmente bem comportadas. À medida que crescem os
adultos passam a pedir-lhes pequenos serviços, buscar água, vigiar a comida que está
no fogo, chamar uma pessoa etc.”. (MunduruKu,2006,p.49)
comunidades. São tratadas de forma carinhosa e “são criadas com muita liberdade,
sem imposições, e são geralmente bem comportadas. À medida que crescem os
adultos passam a pedir-lhes pequenos serviços, buscar água, vigiar a comida que está
no fogo, chamar uma pessoa etc.”. (MunduruKu,2006,p.49)
Segundo Aranha, “nas comunidades tribais, as crianças aprendem imitando os gestos
dos adultos nas atividades diárias e nas cerimônias dos rituais. (...) Sem que alguém
esteja especialmente destinado para a tarefa de ensinar”. (2000,p.27)
dos adultos nas atividades diárias e nas cerimônias dos rituais. (...) Sem que alguém
esteja especialmente destinado para a tarefa de ensinar”. (2000,p.27)
Na tribo, os castigos não fazem parte do processo educacional. A criança é tratadacom respeito pelos adultos, que de maneira geral, participam ativamente na formaçãodas crianças, facilitando assim, a aquisição de usos e valores do grupo. Não havendo,portanto, um espaço próprio para se aprender. Nesse tipo de sociedade não existe omodelo de escola que conhecemos, por isso, a educação é denominada, difusa.

No texto abaixo, retirado do livro: “História dos povos indígenas.500 anos de luta no
Brasil, organizado pelo CIMI – Conselho Indigenista Missionário, você poderá observar
como as sociedades tribais cuidam e educam sua crianças.
Referências Bibliográficas:
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da Educação. 2ª ed. São Paulo: Moderna,
2000.
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O Que É Educação. 48ª ed. São Paulo: Brasiliense,
2006.
CIMI – Conselho indigenista missionário “História dos povos indígenas.500 anos de
luta no Brasil.
MELATTI, Julio Cezar. Índios do Brasil. 2ª ed. Brasília:Editora de Brasília, 1972
No texto abaixo, retirado do livro: “História dos povos indígenas.500 anos de luta no
Brasil, organizado pelo CIMI – Conselho Indigenista Missionário, você poderá observar
como as sociedades tribais cuidam e educam sua crianças.
Referências Bibliográficas:
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da Educação. 2ª ed. São Paulo: Moderna,
2000.
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O Que É Educação. 48ª ed. São Paulo: Brasiliense,
2006.
CIMI – Conselho indigenista missionário “História dos povos indígenas.500 anos de
luta no Brasil.
MELATTI, Julio Cezar. Índios do Brasil. 2ª ed. Brasília:Editora de Brasília, 1972
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